coleta seletiva e reciclagem na italia

Por que a reciclagem na Itália funciona bem e no Brasil não?

Neste artigo, exploraremos as razões para esse contraste na reciclagem e como o Brasil pode se inspirar no modelo italiano para melhorar sua gestão de resíduos.

A reciclagem é um tema central quando falamos sobre sustentabilidade e preservação ambiental.

Apesar de avanços em várias partes do mundo, as diferenças entre países no que diz respeito à eficiência de seus sistemas de reciclagem são notáveis.

Um exemplo emblemático é a reciclagem na Itália, que atualmente possui um dos sistemas mais avançados da Europa, em contraste com o Brasil, que ainda enfrenta inúmeros desafios para implementar um sistema eficaz.

A evolução da reciclagem na Itália

Há trinta anos, a situação da reciclagem na Itália era preocupante. O país enfrentava dificuldades para gerenciar seus resíduos, com aterros sanitários sobrecarregados e taxas baixas de reaproveitamento. No entanto, mudanças estruturais e culturais transformaram essa realidade.

Uma das chaves para esse progresso foi a criação do Consórcio Nacional de Embalagens (CONAI), em 1997. O CONAI é um sistema privado sem fins lucrativos que reúne empresas responsáveis pela produção e uso de embalagens, coordenando todo o ciclo de vida desses materiais.

O CONAI trabalha em conjunto com consórcios específicos para diferentes materiais, como plástico, vidro, papel, metal e madeira, garantindo que cada resíduo seja tratado de maneira adequada.

Além disso, o consórcio investe em campanhas de conscientização pública e na modernização de instalações de triagem e reciclagem. Graças a esses esforços, a Itália conseguiu reciclar 73% de suas embalagens em 2021, de acordo com dados do próprio CONAI.

Outro fator importante é a coleta seletiva porta a porta, amplamente implementada em cidades e vilarejos italianos. Esse sistema facilita a separação de resíduos na fonte, aumentando a qualidade do material reciclado.

Em regiões como o norte da Itália, a coleta seletiva já atinge taxas superiores a 80%, colocando o país como referência internacional.

A situação da reciclagem no Brasil

O Brasil, por outro lado, está em um estágio diferente de desenvolvimento no que diz respeito à reciclagem. De acordo com a Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (ABRELPE), o país gera cerca de 82,5 milhões de toneladas de resíduos sólidos por ano, mas recicla apenas 4% desse total.

Apesar de contar com políticas como a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), aprovada em 2010, muitos desafios persistem.

Um dos maiores problemas no Brasil é a falta de infraestrutura adequada. Muitas cidades ainda dependem de lixões a céu aberto, que são prejudiciais ao meio ambiente e à saúde pública. Além disso, a coleta seletiva é limitada.

De acordo com a Pesquisa de Informações Básicas Municipais (Munic) 2023, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em novembro de 2024, 60,5% dos municípios brasileiros possuem serviços de coleta seletiva de resíduos sólidos.  

Esse dado representa um aumento significativo em relação aos 17% registrados em 2018 pelo Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), o que nos dá mais confiança no futuro!

A pesquisa de 2023 também destaca variações regionais na implementação da coleta seletiva:

Região Sul: 81,9% dos municípios possuem coleta seletiva.

Região Sudeste: 80,6%.

Região Centro-Oeste: 51,3%.

Região Nordeste: 37%.

Região Norte: 33,5%.

Esses números refletem um avanço na implementação da coleta seletiva no país, embora ainda existam desafios para alcançar uma cobertura mais uniforme em todas as regiões.

Outro fator crítico é a baixa conscientização da população sobre a importância da reciclagem. Enquanto na Itália campanhas educativas são constantes e amplamente divulgadas, no Brasil essas iniciativas são menos frequentes e alcançam uma parcela limitada da população.

Isso resulta em uma alta taxa de resíduos recicláveis que acabam sendo descartados de forma inadequada.

Comparando os dois sistemas

Um dos principais diferenciais do sistema italiano é a integração entre os setores público e privado. O CONAI atua como um elo entre governos locais, empresas e cidadãos, garantindo que todos cumpram suas responsabilidades no ciclo de reciclagem.

Por outro lado, no Brasil, embora existam esforços semelhantes, como os sistemas de logística reversa, a implementação ainda é fragmentada e enfrenta resistência de alguns setores industriais.

Inclusive, o Brasil carece de incentivos financeiros para fomentar a reciclagem. Na Itália, por exemplo, empresas que utilizam materiais reciclados em suas embalagens recebem benefícios fiscais.

Esse tipo de incentivo estimula a economia circular e aumenta a demanda por materiais reciclados, algo que poderia ser replicado no Brasil com bons resultados.

A importância da reciclagem de resíduos orgânicos

Tanto na Itália quanto no Brasil, os resíduos orgânicos representam uma parcela significativa do lixo gerado.

Na Itália, esses resíduos são amplamente compostados, contribuindo para a produção de adubo orgânico e reduzindo as emissões de gases de efeito estufa. O país conta com milhares de instalações de compostagem, que processam resíduos de forma eficiente e sustentável.

No Brasil, iniciativas como a compostagem ainda são incipientes, mas estão ganhando espaço.

Empresas como a Realixo estão liderando o caminho, oferecendo serviços de coleta de resíduos orgânicos para compostagem em residências, empresas e eventos.

Esse tipo de iniciativa é essencial para transformar a gestão de resíduos no país e reduzir a dependência de aterros sanitários.

Além disso, o adubo produzido por meio da compostagem a partir de resíduos orgânicos ajuda a sequestrar carbono da atmosfera, como explicado neste artigo.

Avanços e perspectivas no Brasil

Apesar dos desafios, o Brasil tem registrado avanços nos últimos anos. Programas de reciclagem em grandes cidades como São Paulo e Curitiba estão sendo ampliados, e cooperativas de catadores desempenham um papel crucial na triagem e reaproveitamento de materiais recicláveis.

Além disso, startups e empresas de impacto social estão trazendo inovação para o setor, utilizando tecnologia para otimizar a coleta e o processamento de resíduos.

Com políticas públicas mais robustas, maior investimento em infraestrutura e campanhas de conscientização, o Brasil tem potencial para alcançar níveis de reciclagem semelhantes aos da Itália nas próximas décadas.

A experiência italiana mostra que mudanças estruturais e culturais são possíveis, desde que haja vontade política e engajamento da sociedade.

Como podemos ajudar

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Fontes

  1. CONAI – Consorzio Nazionale Imballaggi
  2. Relatório ABRELPE
  3. Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS)
  4. Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS)
  5. Eurostat – Recycling Rates in Europe
  6. Legambiente – Rapporto Rifiuti
  7. Comieco – Consorzio per il Riciclo della Carta
  8. Reciclagem no Brasil – CEMPRE
  9. Instituto Akatu – Consumo Consciente
  10. Estudo sobre compostagem no Brasil – EMBRAPA

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